As turmas da tarde fizeram do parque um grande espaço de trabalho em Ciências Naturais com a observação da natureza, bichos e plantas, e experiências nas quais as crianças exploraram as propriedades e reações dos materiais frente às suas ações ou às ações da natureza - o calor, o atrito, o peso, a força...- defrontando –se com desafios que as levaram a buscar soluções e explicações para os fenômenos.
Os professores preocuparam-se mais com as perguntas do que com as respostas das crianças e sua função foi, antes de tudo, a de continuar alimentando a postura investigativa de seu grupo.
O I4 (manhã,
professora Juliana C.) descobriu o vento e suas coisas a partir da varanda da
sala. O vento deles soprou uma história para mim, e esta, se espalhou por todas
as turmas, do I3 ao 1º ano, com a participação especial do integrado. Uma
história que foi simplesmente dançada.
As intervenções no parque no primeiro semestre eram
realizadas uma vez por semana, mas, diante do sucesso da proposta, no segundo
semestre passaram a ser promovidas duas vezes: uma vez com interferências
físicas relacionadas ao corpo, movimento e arte e outra sonora, promovendo um
parque musical, com os mais variados gêneros.
As interferências são um
convite para as crianças brincarem, explorarem e se relacionarem com o outro e
com o lugar, cada vez de uma maneira diferente. Ideias simples, capazes de transformar o
parque em um espaço repleto de estímulos para brincadeiras tradicionais e de
faz de conta, desafios de movimento e descobertas sensoriais.
No início do semestre, o
projeto sobre os animais ficou no campo das experiências e experimentações.
Esse tema contribuiu para aguçar o olhar e provocar o envolvimento em torno do
exercício do ato curioso. Estas ações foram fundamentais para a construção da
escuta. Escuta do grupo, de si, do outro.
Com essa pesquisa nos
aproximamos da literatura, da música, da fantasia.... Avançamos na condição de
reconhecer semelhanças e diferenças. Assistimos a trechos de documentários,
escutamos histórias, poesias e canções, vivenciamos brincadeiras, estabelecemos
relações entre as vivências, ampliamos o olhar.
Nosso parque, um quintal de surpresas!!!
A curiosidade é algo natural! Quando
instigada, a vontade de saber só aumenta...
O parque neste final de inverno chama
mais e mais a atenção das crianças, as árvores floridas, frutinhas pelo chão,
sem falar nos bichinhos...
O sabiá que fez um buraquinho na
gaiola e voou voou... aparece por toda parte e canta feliz em nosso parque.
Partindo desses momentos de
investigações pela escola e descoberta das cores e sabores das frutas,
iniciamos o projeto “Sensações”, com a proposta explorar elementos pouco comuns
para as crianças e aguçar o olhar investigativo para o mundo a volta delas.
Ao observarmos
as crianças em suas brincadeiras espontâneas, notamos que o uso de brinquedos
estruturados direcionava a sua ação com facilidade.
Nossa intenção
foi repensar o uso do brinquedo e de outros materiais de maneira a causar
“desassossego”.
A força dos
quatro grupos unidos por ações comuns promoveu muitos deslocamentos.
A oferta de
materiais inusitados, elementos naturais e materiais não estruturados
(sucatas escolhidas) possibilitou a exploração com foco na criação e
imaginação.
Através desses materiais, as crianças
têm a oportunidade de exercer um papel rico e diferente,
tornando-se autoras de suas brincadeiras.
É através da
brincadeira que elas conhecem o mundo que as rodeia, questionando, duvidando,
afirmando, reconhecendo, criando. Brincar também possibilita o desenvolvimento
da inteligência e da percepção, pois observar e atuar formam uma corrente
infinita de ações e reações, físicas e emocionais, que se retroalimentam.
Entre e conheça esse mundo encantador que é brincar
sem brinquedos prontos...